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# Saturday, October 25, 2008

David Doubilet

David Doubilet é fotógrafo especialista em vida marinha e colaborador da revista National Geographic e autor de um belíssimo ensaio chamado Living Color que revela a plenitude de cores e formas dos  invertebrados marinhos. A lesma do mar acima é da espécie  Nembrotha Kubaryana, mede 6 centímetros e utiliza a cor como mecanismo de defesa, alertando eventuais predadores sobre a alta toxidade de seu veneno.     

Fotografia
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# Friday, October 24, 2008

Medo de perder - A teoria do prospecto

"Em 2002, surpreendentemente, um psicólogo ganhou o prêmio Nobel de Economia: Daniel Kahneman. Todos os seus trabalhos (muitos dos quais escritos com Amos Tversky, que morreu em 1996 e, portanto, não pôde ser premiado junto com seu colega) questionam um pressuposto da teoria econômica (hoje quase defunto), segundo o qual o sujeito da economia (ou seja, nós, quando tomamos decisões econômicas) seguiria princípios racionais, escolhendo o que é mais útil e mais proveitoso.
A teoria que tornou Kahneman e Tversky famosos se chama "Prospect Theory", teoria do prospecto, ou seja, teoria de como a gente avalia as expectativas futuras, no momento de decidir. Eles escreveram dois textos cruciais sobre o assunto, um em 1979 e outro em 1992 (disponíveis ambos on-line no endereço http://prospect-theory.behaviouralfinance.net/).
A "Prospect Theory"" mostra o seguinte: na hora de correr um risco ou de evitá-lo, nossa decisão não é guiada apenas pela consideração das chances efetivas de sucesso ou fracasso, mas outros fatores menos "racionais" (em particular, o medo de perder) tornam-se determinantes.
Escolho uma das experiências realizadas por Kahneman. Note-se que o valor em jogo (digamos, R$ 1.000) corresponde a um terço da renda média do grupo social de onde vêm os entrevistados (as experiências foram realizadas na Suécia e repetidas e confirmadas nos EUA). No começo da experiência, supõe-se que o sujeito tenha recebido, de presente, um dinheiro; dessa forma, as perdas eventuais não mudariam perigosamente sua condição financeira.

Então, você já recebeu R$ 1.000. Agora, você deve escolher entre A) receber R$ 500 certos e B) correr um risco pelo qual há 50% de chances de você ganhar R$ 1.000 e 50% de chances de você não ganhar nada. A grande maioria dos entrevistados (84%) escolhe ficar com os 500 certos e evita o risco de não ganhar nada na esperança de ganhar mais.

Situação inversa. Você recebeu, de presente, R$ 2.000. Agora, você deve escolher entre A) perder 500 inevitavelmente e B) correr um risco pelo qual há 50% de chances de você perder R$ 1.000 e 50% de chances de você não perder nada e ficar com todos os seus 2.000. Aqui uma boa maioria dos entrevistados (69%) prefere correr o risco de perder mais, na esperança, obviamente, de não perder nada. Só 31% optam pela perda inevitável de R$ 500.

Conclusão: quando se trata de ganhar, nossa aversão ao risco é muito maior do que quando se trata de perder. Em outras palavras, não é para ganhar, mas para não perder que estamos dispostos a mais sacrifícios. Para não perder, estamos até prontos a correr o risco de perder mais ainda.

De fato, muitos jogadores conseguem deixar a mesa quando estão ganhando, contentando-se com o dinheiro que levarão para casa, mas são poucos os jogadores que conseguem parar de jogar quando estão perdendo. Em regra, o jogador não se resigna às perdas e segue apostando e acreditando numa mudança da sorte, até esgotar sua conta e seu crédito. Outro exemplo é o do investidor que se agarra a ações que declinam ruinosamente e prefere esperar um milagre a vender e limitar seu desastre.
Ora, a descoberta de Kahneman e Tversky se aplica fora do âmbito estreitamente econômico: na hora de arriscar, o que fala mais alto é o medo de perder. Quando limitamos medrosamente nossos sonhos, o que vale não é tanto a vontade de torná-los mais razoáveis e realizáveis, mas o medo de abandonar o conforto resignado do status quo.
Os psicanalistas dizem a mesma coisa, em termos apenas diferentes: não há desejo sem perdas, e quem não aceita perder se impede de desejar."

[Contardo Calligaris, via Folha de S.Paulo, 29/12/05]
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# Saturday, October 18, 2008

Caminhos pessoais

1) "Diga a verdade para você mesmo: divida uma folha de papel em duas colunas e escreva do lado esquerdo tudo que adoraria fazer. Depois, escreva do lado direito tudo que está fazendo sem entusiasmo. Escreva como se ninguém fosse ler o que está ali; não censure nem julgue suas respostas.

2) Comece devagar, mas comece: chame o agente de viagens, procure algo que se encaixe no seu orçamento, vá assistir ao filme que está adiando, compre o livro que desejava. Seja generoso consigo mesmo e verá que mesmo estes pequenos passos lhe farão sentir mais vivo.

3) Vá parando devagar, mas pare: há coisas que tiram por completo sua energia. Você precisa mesmo ir à tal reunião do comitê? Precisa ajudar quem não quer ser ajudado? Ao parar de fazer o que não lhe interessa, vai notar que você estava exigindo de si mais do que os outros realmente pediam.

4) Descubra seus pequenos talentos: o que os amigos dizem que você faz bem? O que você faz com vontade, mesmo que não seja perfeito na sua execução? Estes pequenos talentos são mensagens escondidas de seus grandes talentos ocultos.

5) Comece a escolher: se algo lhe dá prazer, não hesite. Se você está em dúvida, feche os olhos, imagine que tomou a decisão A e veja tudo que ela acarretará. Faça o mesmo com a decisão B. A decisão que lhe fizer sentir mais conectado com a vida é a certa _mesmo que não seja a mais fácil.

6) Não baseie suas decisões em ganhos financeiros: ele virão, se você realmente fizer algo com entusiasmo. O mesmo vaso, feito por um oleiro que adora o que faz, ou por um homem que detesta seu ofício, tem uma alma. Ele será rapidamente vendido (no primeiro caso) ou ficará encalhado (no segundo caso).

7) Siga sua intuição: o trabalho mais interessante é aquele em que você se permite ser criativo. Einstein dizia: "Eu não cheguei à minha compreensão do Universo usando apenas a matemática." Descartes, o pai da lógica, desenvolveu seu método baseado em um sonho que teve.

8) Não tenha medo de mudar de idéia: se você deixou uma decisão de lado, e ela o incomoda, repense o que escolheu. Não lute contra aquilo que lhe dá prazer.

9) Saiba descansar: um dia por semana sem pensar no trabalho termina permitindo que o subconsciente o ajude. Muitos (mas não todos) problemas se solucionam sem ajuda da razão.

10) Deixe que as coisas mostrem o caminho mais alegre: se você está lutando demais por algo, e não tem resultados, seja mais flexível e se entregue aos caminhos que a vida mostra.Isso não significa renunciar à luta, ter preguiça ou deixar as coisas nas mãos dos outros _ significa entender que o trabalho com amor nos dá forças, jamais desespero.

11) Leia os sinais: é uma linguagem individual, unida à intuição, que aparece nos momentos certos. Mesmo que os sinais indiquem uma direção oposta àquela que você planejou, siga-os. Às vezes você vai errar, mas é a única maneira de aprender essa nova linguagem.

12) Finalmente, arrisque! Os homens que mudaram o mundo começaram seus caminhos através de um ato de fé. Acredite na força dos seus sonhos. Deus é justo e não colocaria em seu coração um desejo impossível de ser realizado"

[Alan Cohen ]
Geral
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# Monday, September 01, 2008

Coisas Findas

As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão.
Mas as coisas findas, muito mais que lindas, estas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade
Poesia
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# Tuesday, May 15, 2007

Frio é relativo

"30º C ou mais
Baianos vão a praia, dançam, cantam e comem acarajé.
Cariocas vão a praia e jogam futebol.
Mineiros comem um "queijin" na sombra.
Todos paulistas estão no litoral e enfrentam 2 horas de fila nas Padarias e supermercados da região.
Curitibanos esgotam os estoques de protetor solar e isotônicos da cidade.

25ºC
Baianos não deixam os filhos sairem ao vento após as 17 horas.
Cariocas vão à praia mas não entram na água.
Mineiros comem um feijão tropeiro.
Paulistas fazem churrasco nas suas casas do litoral, poucos ainda entram na água.
Curitibanos reclamam do calor e não fazem esforço devido esgotamento físico.

20ºC
Baianos mudam os chuveiros para a posição "Inverno" e ligam o ar quente das casas e veículos.
Cariocas vestem um moletom.
Mineiros bebem pinga perto do fogão a lenha.
Paulistas decidem deixar o litoral, começa o trânsito de volta para casa.
Curitibanos tomam sol no parque.

15ºC
Baianos tremem incontrolavelmente de frio.
Cariocas se reúnem para comer fondue de queijo.
Mineiros continuam bebendo pinga perto do fogão a lenha.
Paulistas ainda estão presos nos congestionamentos na volta do litoral.
Curitibanos dirigem com os vidros abaixados.

10ºC
Decretado estado de calamidade na Bahia.
Cariocas usam sobretudo, cuecas de lã, luvas e toucas.
Mineiros continuam bebendo pinga e colocam mais lenha no fogão.
Paulistas vão a pizzarias e shopping centers com a família.
Curitibanos botam uma camisa de manga comprida.

5ºC
Bahia entra no armagedon.
César Maia lança a candidatura do Rio para as olimpíadas de inverno.
Mineiros continuam bebendo pinga e quentão ao lado do fogão a lenha.
Paulistas lotam hospitais e clínicas devido doenças causadas pela inversão térmica.
Curitibanos fecham as janelas de casa.

0ºC
Não existe mais vida na Bahia.
No Rio, César Maia veste 7 casacos e lança o "Ixxnoubórdi in Rio".
Mineiros entram em coma alcoólico ao lado do fogão a lenha.
Paulistas não saem de casa e dão altos índices de audiência a Gilberto Barros, Gugu Liberato, Luciana Gimenes e Silvio Santos.
Curitibanos fazem um churrasco no pátio... antes que esfrie. . "


[autoria desconhecida ]
Humor
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# Sunday, April 22, 2007

Pérola

Pérola é o pesadelo encarnado para os inquilinos em atraso. Fria e sem papas na língua, vai direto ao assunto, doa a quem doer. O vídeo, não recomendado para menores, encontra-se aqui ;-)
Esta reportagem da Wired explica a história deste fenômeno viral da Internet que em apenas 24hs, recebeu mais de 7 milhões de visitas.
Humor | Web
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# Friday, April 20, 2007

Viva México

Se é verdadeira a noção de irmandade entre culturas, não seria incorreto afirmar que os mexicanos e brasileiros são comungados no humor, estilo e percalços históricos. Compartilhamos muito em comum, e seus grandes centros, a Cidade do México e São Paulo, foram certamente separados no nascimento. Lá somos hermanos e recebidos com sorrisos que devem remontar à algum evento no passado. Um taxista disse-me que tudo isto deve-se ao rei Pelé.É provável.
Algumas dicas para o viajante à trabalho:
- Planeje antecipadamente o meio de transporte e como será o pagamento. Táxis e congêneres são um sorvedouro de Pesos Mexicanos se você não puder pagá-los com cartão de crédito. Mas isto dependerá do país. Por lá recomendo uma companhia, a TAXIMEX que é uma das poucas que aceita pagamento com cartão. São provavelmente a mais eficiente empresa de rádio táxi do México e que poucos mexicanos conhecem.
- Nunca utilize os taxis de rua de lá, os famosos fusquinhas verde e branco. Muitos são clandestinos e com histórias de sequestros-relâmpagos de turistas. Se você é carioca ou paulista, já estará naturalmente adaptado.
- NÃO compensa alugar um automóvel. Lembre-se que você está na maior cidade do mundo. Com problemas e tráfego à altura. É quase impossível para um estrangeiro navegar por aqueles labintos e ruas que obedecem à traçados barrocos.
- No final de semana, feche um preço com um motorista para que ele fique dedicado durante todo o dia. Além de ser mais barato é muito mais seguro e eficiente. Além de divertido. Use as viagens dos dias úteis para selecionar os candidatos. Você terá muito mais chance de escolher um guia turístico disfarçado em motorista de táxi.
- Se você não entende de futebol, pelo menos faça “cara de conteúdo”. TODOS os motoristas, sem exceção, ao saberem da sua origem, farão dois comentários:
1) Ronaldinho!!!
2) Você deve gostar de jogar futebol!!
Pela minha experiência pessoal, começo a acreditar que futebol seja uma constante universal. Estive na África e este fenômeno por lá não é um hábito. É uma lei física da natureza. Assim como as maçãs teimam em cair quando largadas, todos os seres vivos indagarão sobre Ronaldo e Romário (sim, ele mesmo) à qualquer apresentação. Assim, faz-se necessário convencer-se que isto é tão inexorável como a gravidade. Ponto final.
- Habitue-se rapidamente à distinguir as guloseimas locais. Além de ser um passatempo em si com a surpreendente e sofisticada cozinha mexicana, você comerá com muuuito mais tranquilidade. Lembre-se que tacos são o “feijão com arroz” local e estão por toda parte.
- Experimente pelo menos uma vez o “Mole (molho)” Poblano, feito de chocolate e pimenta. Uma iguaria.
- Existem restaurantes dedicados, cartas e safras controladas de tequilas e pimentas. Especial atenção para estas últimas. Tamanho realmente não é documento. O poder de fogo de algumas delas deveria ser medida em megatons.
- Não tenha medo e sempre arrisque alguns cumprimentos em espanhol. Por exemplo, ao pedir um suco de laranja, o que você dispararia?
- Jugo de naranja
- Jugo de naranja natural
- Naranjada
- Agua de naranja

Todas são opções válidas com resultados diversos. No meu caso, ao pedir um “Jugo de Limón " ao serviço de quarto do hotel, recebi um copinho, do tamanho de um dedal, preenchido de suco de limão espremido.... :-)
Por fim, durante o pagamento da “cuenta” se alguém pedir-lhe a propina, por favor, não chame a polícia. Apesar de estarmos acostumados por aqui nas esferas adminstrativas, “propina” lá, significa gorjeta.
Viagens e lugares
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# Wednesday, April 18, 2007

Switched Witches Watch Swatch Watches

1)"Três bruxas observam três relógios Swatch. Qual bruxa observa qual relógio?"

Three witches watch three Swatch watches. Which witch watch which Swatch watch?

2)"Três bruxas "travestis" observam os botões de três relógios Swatch. Que bruxa travesti observa os botões de que relógio Swatch?"

Three switched witches watch three Swatch watch switches. Which switched wich watch which Swatch watch switch?

3)"Três bruxas suecas transexuais observam os botões de três relógios "Swatch" suíços. Que bruxa sueca transexual observa que botão de que relógio Swatch suíço?"

Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch watch switches. Which Swedish switched witch watch which Swiss Swatch watch switch?
Humor
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# Saturday, September 02, 2006

Ligando os pontos

Íntegra do discurso de Steve Jobs, o criador da Apple, para os formandos de Stanford

"Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

primeira história é sobre ligar os pontos

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: "Apareceu um garoto. Vocês o querem?" Eles disseram: "É claro." Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.

E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.

Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.

Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa - sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação - o Macintosh - e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.

Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.

Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: "Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último". Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: "Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?" E se a resposta é "não" por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas - que é o código dos médicos para "preparar para morrer". Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário. Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: "Continue com fome, continue bobo". Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos. Obrigado."

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# Wednesday, July 26, 2006

OBVIO


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OBVIO é o carro híbrido (eletricidade, gasolina e álcool) produzido no Rio de Janeiro e que será em breve exportado para o mercado americano e canadense. Possui tecnologia de ponta : motores de última geração, carroceria e chassis integrados para absorção de impactos, centro de entreternimento multimídia (DVD e rádios por satélite) com intalação pronta para I-POD, Blue Tooth e WiFi. E duas simpáticas sandálias havaianas que servem de pedais.
E tudo isto compactado em um pouco mais de dois metros.


Tecnologia
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# Sunday, July 23, 2006

Julgamentos

"Na Roma Antiga, o acusado era levado diante do imperador, que o absolvia ou o condenava, decidia sua pena e de que forma seria aplicada. A mais utilizada era a pena de morte; a mais severa, o desterro. O acusado não tinha praticamente nenhuma chance de se defender.

Essa prática era muito comum para crimes públicos, ou seja, que atentavam contra a paz social. Os demais crimes eram resolvidos pela chamada "vingança privada": as partes faziam justiça com as próprias mãos.

A lei de talião, que constava do Código de Hamurabi (1.730 a.C.), na Babilônia, dava proporcionalidade a essa "vingança privada". O "olho por olho dente por dente" era uma maneira de conferir reciprocidade entre crime e pena.

Na Grécia Antiga já havia um sistema de julgamento que lembra o atual: um tribunal com juízes que representavam o povo. Palas Atena, a deusa da Justiça, é a criadora mítica desse que é o primeiro tribunal da história.

O sistema atual de julgamentos de crimes no Ocidente tem sua origem ligada ao modo como a Igreja Católica julgava seus pecadores na Idade Média. O direito canônico inspirou a atual forma do processo penal, já que na época a igreja detinha o poder.

Acusadores expunham as provas aos juízes, e testemunhas eram ouvidas. O infiel podia se manifestar. Qualquer tipo de afronta à religião, como a prática de rituais pagãos, era crime. O isolamento como pena vem daí. O intuito era fazer o indivíduo refletir sobre o que havia feito de errado."

[Cláudio José Pereira,professor de direito processual penal da PUC-SP]
História
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# Monday, July 17, 2006

Escala planetária

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Ciência
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# Tuesday, July 04, 2006

Peter Crouch

Passada a ressaca, é hora de relaxar e torcer para nossos patrícios. E divertir-se com as mil aventuras de Peter Crouch, o jogador de quase 2 metros da seleção inglesa de futebol. Como diz a Nike: Joga Bonito!
Humor
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# Saturday, June 17, 2006

Lenga Lenga

Interessante artigo sobre a procrastinação, a milenar e muito tupiniquim arte do "empurrar com a barriga".
Ciência
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# Thursday, June 15, 2006

Real Simpsons

Refizeram a abertura dos Simpsons com atores reais. Veja o resultado aqui
Humor | Vídeos e Animações | Web
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# Thursday, June 01, 2006

Prendas

"Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas"
(Jornal das Moças,1957)

"Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho

e provas de afeto, sem questioná-lo".
(Revista Cláudia, 1962)

"A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa".
(Jornal das Moças, 1965)

"A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas".
(Jornal das Moças, 1959)

"Se o seu marido fuma, não arrume briga pelo simples fato de cair cinzas no tapete.
Tenha cinzeiros espalhados por toda casa".
(Jornal Moças, 1957)

"A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher

por não ter resistido às experiências pré-nupciais,
mostrando que era perfeita e única, exatamente como ele a idealizara".
(Revista Cláudia,1962)

"Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva,
na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu".
(Revista Querida, 1954)

"O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio.
Ele é quem decide - sempre".
(Revista Querida, 1953)

"Sempre que o homem sair com os amigos e voltar tarde da noite,
espere-o linda, cheirosa e dócil".
(Jornal das Moças, 1958)

"É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido".
(Jornal das Moças, 1957)

"O lugar de mulher é no lar. O trabalho fora de casa a masculiniza".
(Revista Querida, 1955)

História | Humor
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# Wednesday, April 26, 2006

Plano Perfeito

É daqueles filmes que conquistam a nossa simpatia desde o primeiro minuto. É fácil se render à inteligência do roteiro e à elegância dos diálogos. Os atores estão à vontade. Um time de primeira: Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster,Christopher Plummer e Willem Dafoe. Com estes bons ingredientes, Spike Lee acerta a mão ao conseguir temperar entretenimento com doses sutis de tensão inter-racial entre seus personagens. Pimenta constante em suas receitas.
Por fim, não poderia deixar de mencionar "Chaiyya, Chaiyya". A música de abertura. Um achado! Indiana, exótica, enérgica. Confiram um pouco disto no clipe da canção-tema, que por sinal é um outro achado, gentilmente descoberto por uma amiga muito Mobacana .

Filmes e documentários | Música
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# Tuesday, April 04, 2006

Vitrola Trash 80's

É parte integrante da vida achar que "no seu tempo" o mundo era mais justo e as bandas de rock mais respeitáveis. Mas basta uma olhada nesta coleção de clipes e performances dos anos 80, para revermos impressões antigas. E com gargalhadas lembrar-se que dançar new-wave embrulhado em camisetas fluorescentes e namorar ao som do Police já foi o máximo.
Não que tenha sido o meu caso, que fique bem claro. A minha experiência do passado acima descrito é fruto de alguns documentários da Discovery Channel. ;-)
E para saciar a nossa curiosidade científica, visite o baú de raridades desta TV Trash80s . Ao abrir a janela com a TV clique nos botões de baixo (clipes, performance, shows). No link Clipes,não perca por nada deste mundo a "inspirada" performance do Boney M.(Daddy Cool)e a clássica Lipps Inc (Funky Town).

PS: se der, cheque também a versão DEVO para SATISFACTION dos Stones. Faz a original comer poeira...

Música
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# Friday, March 31, 2006

Pára os choques

- Aqui é como o World Trade Center, só entra avião!!!
- Sexo demais prejudica a memória e outra coisa que não lembro agora.
- Carro é só um meio de transporte...(colado em um Corvette)
- Nóis capota mas num breca!
- Se rodar o guarda pega, se parar o banco toma...(adesivo em lotação clandestina em S.P.)
- Sob NOVA DIREÇÃO: recém desquitada...(colado em um corsa dirigido por mulher em S.P.)
- Mulher de minissaia é o mesmo que cerca de arame farpado, cerca a propriedade, mas não tapa a visão
- O homem foi feito primeiro que a mulher, para a mulher não dar palpite.
- Respeite a mulher do próximo, principalmente se o próximo estiver muito próximo.
- Eu sempre me importei com a beleza interior da mulher. Uma vez dentro...beleza!
- 99% da beleza feminina sai com água e sabão.
- Comecei a beber por causa de uma mulher, e nunca tive a oportunidade de agradecê-la
- O verdadeiro homem não é aquele que conquista várias mulheres, mas sim aquele que conquista uma mulher várias vezes
- Não se esqueça, Jesus te ama...mas eu não!
- Só o Ctrl+S salva
- Se você estiver sem calcinha, dá uma risadinha.
- Sorria... sua mulher me ama.
- 0 à 100 em 15 minutos. (colado em uma Brasília)
- É fusca mas é meu! (colado num fusquinha 68)
- Antes de um trabalho importante, consulte um bom pai de santo!
- Na subida paciência, na descida, dá licença!
[by M.Hidalgo]
Humor
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# Monday, March 27, 2006

Mentiras Sinceras

"... talvez a maioria dos relacionamentos amorosos adoeçam e morram por causa disto: não porque o parceiro deixou crescer uma barriga displicente nem porque a gente estaria cansado da mesmice e a fim de novidades, mas porque, ao vivermos juntos, aos poucos, perdemos a generosidade. E a generosidade é (ou, melhor, deveria ser) o próprio do amor; ela está quase sempre presente, aliás, quando a gente se apaixona. Explico.

O amor que nasce idealiza o amado, mas essa idealização é contemplativa, não é normativa. Ou seja, pedimos, eventualmente, que o amado ou a amada estejam perto de nós, mas não que mudem e ainda menos que renunciem a serem quem eles são.
Claro, enxergamos neles algo que eles podem não ser, mas o encanto amoroso é justamente esse engano: "Seja como você é, pois é assim que descubro em você tudo o que quero, mesmo que talvez você não seja nada disso". Em suma, o amor, inicialmente, é respeitoso. Se você não é bem o que vejo em você, o engano é meu; amar consiste em querer e saber continuar se enganando.
As coisas mudam quando começamos a medir a distância entre o ser amado e o ideal que lhe penduramos nas costas. De repente, o engano nos parece ser uma artimanha do outro; é ele que deveria se emendar para voltar a ser o ideal que inspirava nosso amor.

O encanto do começo se transforma, assim, numa lista inesgotável de pequenas ou grandes exigências. Tudo o que pedimos ao ser amado (que ele ganhe mais, que seja simpático com nossos amigos, que nos acolha com um sorriso, que pare de roncar no nosso ouvido, que leia Goethe em alemão, que não coma com as mãos, que não caminhe na nossa frente na rua, que esteja em casa na hora certa) é apenas um derivativo. O que queremos é a volta do que nós mesmos perdemos: o encanto pelo qual enxergávamos nosso ideal no ser amado. Esse encanto impunha o respeito, ou seja, permitia que deixássemos o amado e a amada serem, simplesmente, eles mesmos.

(...)Jacques Lacan, um grande psicanalista francês, disse mais de uma vez (a primeira foi, talvez, em seu seminário de 56/57) que o maior sinal de amor é (deveria ser?) o dom do que a gente não tem. Algo assim: "Ofereço-lhe o que não tenho e que você não quer e não me pede". Seja qual for nossa interpretação desse aforismo, ele é certamente o oposto da miséria amorosa ordinária, em que amar significa pedir ao outro o que a gente quer. Ou, pior ainda, pedir-lhe aquela "coisa" de que a gente precisa."

[via Folha SP 16/03/06 - Contardo Calligaris ]
Comportamento | Artigos
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eMula


Mulas de carga estão com os dias contados depois deste engenho quadrúpede. Com muito jogo de cintura e equilíbrio, a criatura não se deixa intimidar por terrenos difíceis nem safanões de pesquisadores(clique aqui para assistir ao vídeo). O que é notável nos robôs desta nova geração é o domínio do equilíbrio, como nesta dança dos Qrios, que não passam de 50 cm ou neste exótico modelo, o LayeredX exibido este mês no campeonato Robot-One que ocorreu no Japão.

Tecnologia
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